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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Redação - Prof. Anderson

Aula 1

Descrição: é um tipo de texto que se procura caracterizar, com palavras, a imagem de alguma pessoa, cenário, objeto, situação, sentimento, enfim, aquilo que desejamos que outra pessoa conheça.
Ex:“Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até a mais obtusa (indefinida) das imaginações poderá “ver” cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes. Algures em Angola. Dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha um machete (grande faca) e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na segunda, desta vez há uma segunda fotografia, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro.”

Obs: existem várias características enumeradas. O texto começa com: em algum lugar da índia. Há vários substantivos e adjetivos que ajudam o leitor a visualizar a ação que não estava na fotografia, mas a imaginação vem das palavras escolhidas com precisão. Não é tão fácil assim fazer um texto descritivo, pois além de mostra aquilo que você vê é preciso também fazer com que o leitor veja a mesma imagem e situação.

Narração: é um tipo de texto em que se contam fatos, personagens, ação, tempo, espaço. Na narração são contados fatos de uma história. Para a história não ficar entediante é preciso selecionar apenas aquilo que interessa. Faça com que o leitor esteja sempre atento ao desfecho da história.
Ex: “Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar. Ficou deitado e viu que horas eram. Enquanto Mônica tomava um conhaque no outro canto da cidade, como eles disseram... Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer... Um carinha do cursinho do Eduardo que disse:” "Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"
Até mesmo uma música pode ser uma narração, desde que tenha um começo, meio e fim, com fatos elaborados seqüencialmente de forma lógica. A história não precisa começar necessariamente pelo começo, ela pode ser começada pelo fim, por exemplo. O que não pode faltar é o começo, meio e fim para se ter um desfecho.

Dissertação: tipo de texto em que predomina a defesa de uma idéia.
Ex: “Muito nos parecemos com eles: nós, homens, somos animais de corpo mole, indefesos, soltos numa natureza cheia de predadores. Comparados com os outros animais, nossos corpos são totalmente inadequados à luta pela vida. Vejam os animais: eles dispõem apenas do seu corpo para viver. E o seu corpo lhes basta. Seus corpos são ferramentas maravilhosas: cavam, voam, correm, reproduzem-se. Nós, se abandonados apenas com o nosso corpo, teríamos vida muito curta.”
                                                                                                          Rubem Alves

Redação - Prof. Anderson

Aula 2

Exemplos de Redação

Castigo ou educação (nota 0,0)

O castigo físico vêm [vem] se tornando mais comum nas conversas entre crianças e adolescentes, mas com o novo projeto de lei que proibe [proíbe] o castigo físico à [a] crianças e adolescentes, o cenário irá mudar completamente.

Castigar para educar? Será se [que] realmente é preciso que os pais tomem esse tipo de ação [atitude] ? Como a maioria da população é contra à [a] nova lei, dá para perceber que o cenário continuará o mesmo.

A educação é algo muito importante para o desenvolvimento de nosso país, por conta disso que esta lei vêm [vem] sendo implantada, o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que o alvo principal do projeto não é o "beliscão ou a palmadinha", mas casos como de Isabela Nardoni, menina que morreu após cair de um prédio em São Paulo e cujos pais foram condenados pelo crime. O Presidente falou logo depois e discordou de Vannuchi, "O Paulinho falou duas vezes em beliscão, mas beliscão dói prá cacete" . Medidas ainda estão sendo tomadas para que a educação de nosso país não fique em um nivel [nível] precário, por isso a lei também vale para qualquer tipo de pessoa.

Entretanto a sociedade deve apoiar a lei pensando em um ensino melhor para nosso país, sendo assim chegamos ao nivel de educação de primeiro mundo.
Comentário geral
Apesar de citar dados relacionados ao tema, o autor não desenvolve a proposta, já que faltam informações claras e completas capazes de lhe garantir unidade e coerência. Há muitas falhas na construção dos períodos e, principalmente, na organização lógica.
Aspectos pontuais
1) Primeiro parágrafo: a) além da repetição inadequada (crianças e adolescentes duas vezes na mesma frase), o parágrafo traz uma informação confusa e mal relacionada ao tema: por que o castigo é comum nas conversas de crianças? Não seria na vida delas?; b) o "a" da expressão "a crianças e adolescentes" é apenas uma preposição, portanto não há crase.

2) Segundo parágrafo: não há ligação lógica entre as frases do parágrafo, as quais, por estarem incompletas, também não são informativas.

3) Terceiro parágrafo: a) Informações confusas: quando e onde as autoridades citadas fizeram tais declarações? Sem esses dados, as falas ficam sem sentido, vulgares e fora de contexto; b) se o texto afirma que a menina (Nardoni) "caiu", em vez de ser jogada, do prédio, a condenação dos pais (na verdade do pai e da madrasta) não faz sentido. Informação imprecisa; c) além dos menores brasileiros, não fica claro quem o autor do texto quer incluir na lei com a afirmação: "a lei também vale para qualquer tipo de pessoa".

4) Quarto parágrafo: a lei faz referência à educação familiar e não à educação escolar, como aparece na conclusão.

Uma lei punitiva não é capaz de acabar com a punição [...] nota 9,5

"O homem nasce livre, e por todos os lados é posto a ferros". A frase de Rousseau, um dos líderes da Revolução Francesa, expressa um dos pilares da ideologia desta [dessa] revolução - a ânsia por liberdade. Porém, após chegar ao poder, a burguesia, que acabou com formas de opressão e de repressão da sociedade feudal, instaurou um Estado que tem seus próprios meios de repressão.

Por todos os lados, o homem continua sendo "posto a ferros", e esta [essa] repressão começa já dentro de casa, na educação fornecida pela família. Em nome de "educar" os filhos, muitas vezes os pais vêm [veem] a necessidade de obrigar ou de proibir as crianças de fazerem coisas para as quais não encontram argumentos, e acabam recorrendo a medidas coercitivas - os chamados castigos, que podem ser morais ou físicos.

Embora sejam a própria sociedade e suas exigências que levam a este [esse] comportamento, hipocritamente o Estado tem um discurso contrário aos eventuais abusos cometidos pelos pais, chegando a prever em suas leis a punição para estes [esses] abusos. Na esteira da repercussão do caso Nardoni, surgiu no Brasil a polêmica proposta de lei que pode punir até mesmo palmadas que sejam dadas pelos pais em seus filhos.

Os pais ficam proibidos de punir os filhos fisicamente, e caso o façam podem ser... punidos fisicamente - com a perda de sua liberdade realizada de maneira violenta, através da prisão. Que tipo de lição pode ser tirada disto [disso]? Se é errado punir de maneira abusiva, se os pais devem conseguir outras maneiras de educar seus filhos, por que o Estado deve "educá-los" por meio da punição?

A própria proposta de uma lei como esta [Essa própria proposta de lei] revela as contradições profundas que fazem com que o problema da violência de pais contra filhos não possa ser resolvido simplesmente por uma lei. Em uma sociedade tão repressiva, que pune até mesmo a repressão com mais repressão, como um indivíduo pode ser criado livre, sem por todos os lados ser posto a ferros?

Comentário geral:

 A redação é boa e só não recebe a nota máxima por questões pontuais. Evidentemente, o autor tem uma série de posições que podem ser debatidas e não é necessário se concordar com ele. De qualquer modo, ele sabe expor seu ponto de vista, bem como analisar o problema de acordo com a sua visão de mundo.

Aspectos pontuais
1) Primeiro parágrafo: A citação correta é "O homem nasce livre, e em toda a parte é posto a ferros". Rousseau, que morreu onze anos antes do início da Revolução Francesa, não pôde ser um de seus líderes. Quando muito, suas ideias serviram de base às ideias dos revolucionários.
2) Segundo parágrafo: aqui a afirmação se baseia num argumento discutível: a de que os pais só recorrem à palmada quando não têm argumentos. Eles podem ter argumentos, mas notar suas ponderações não serem respeitadas, por exemplo. Ou seja, a questão é mais complexa do que a exposta pelo autor aqui.
3) Terceiro parágrafo: o correto seria dizer "numa lei" (a lei em questão) e não "em suas leis".
A palmada que educa  nota 5,5
   Um projeto de lei aprovado recentemente pelo governo federal vem dividindo opiniões nas últimas semanas. A proposta proíbe tapinhas, chineladas, palmadas ou qualquer castigo físico praticado pelos pais sobre seus filhos.
   Creio que a nova lei tira dos pais algo imprescindível na formação de cidadãos responsáveis: a autoridade. A palmada mostra para a criança o lado certo e o errado das suas escolhas, é um sinal corretivo que, se for aplicada [aplicado] com bom-senso, colabora para a sua boa formação tanto [boa formação do indivíduo, tanto no aspecto] educacional como de caráter.
   Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Folha detectou que 54% dos brasileiros são contrários à lei. Pensamos que cada [Cada] pai ou mãe tem o direito de educar seu filho da maneira que considerar necessária, não descartando o diálogo, os bons exemplos e o respeito como práticas pedagógicas, mas sabendo impor limites na medida certa.
   É importante ressaltar que em nenhum momento, mesmo com a oposição de muitas pessoas à referida lei, as mesmas incentivam [deve-se incentivar] a violência dentro dos lares. Creio que a palmada não tem o intuito de machucar e pode até ser considerada um ato de amor, pensando certamente no futuro, já espancamento é outra situação que deve e precisa sim ser punida.
   Por fim, acredito que o governo deveria dar prioridade para áreas como a saúde pública, a educação, a criminalidade e não 'demitir' os pais dos 'cargos' mais importantes de suas vidas, a paternidade. Em sua grande maioria, os pais brasileiros conduzem com excelência o compromisso de criar jovens preparados para a vida, sendo melhor levarem algumas palmadinhas na infância para evitarem erros maiores quando adultos.

Comentário geral

O texto opõe-se à lei de modo coerente, embora com superficialidade, já que a única prova concreta é uma pesquisa. O autor participa do texto, o que não é aconselhável em dissertações, pois isso torna os comentários subjetivos, enfraquecidos.

Aspectos pontuais

1) Terceiro parágrafo: a) não é adequado usar "nós" no parágrafo, pois a opinião é do autor do texto e não dos brasileiros ouvidos pela pesquisa; b) se considerarmos que a proposta do texto é defender a palmada como método educativo eficiente, isso deve ser feito de modo explícito e não com eufemismos, como ocorreu na última frase desse parágrafo, que defende "a imposição de limites na medida certa".

2) Quarto parágrafo: como é possível garantir que não haja, no grupo contrário à lei, pessoas incentivadoras (e talvez também praticantes) da violência dentro de casa? A generalização leva à falha, enfraquecendo a análise.

3) Quinto parágrafo: há problema de duplo sentido na oração "sendo melhor levarem algumas palmadinhas...", pois, como o sujeito do verbo não aparece, subentende-se ser o mesmo da oração anterior "os pais brasileiros conduzem...", ou seja, parece que os pais é que devem levar as palmadinhas! O trecho precisa de reformulação.

Redação - Prof. Anderson

Aula 3

Dissertação: tipo de texto em que predomina a defesa de uma ideia. Este tipo de texto requer: raciocínio, clareza, coerência, objetividade na exposição, planejamento de trabalho e habilidade de expressão.
1o Reflita sobre o tema: qual é o assunto? Qual seu posicionamento sobre ele?
2o Quais as informações que você possui sobre o tema? Escreva todas as que considerar importantes.
3o A que conclusão você conseguiu chegar?
Ex: “No mundo moderno, onde é cada vez mais dura a competição pessoal, e cada vez mais profundo o abismo da ignorância, não por incapacidade do espírito humano, mas pelo aumento enorme da quantidade de coisas a aprender, a leitura ainda é dos mais decisivos meios para a aquisição de conhecimento. Leitura e personalidade continuam juntas: dize-me o que lês e te direi quem és!
Sobre o que trata esse texto? Sobre a leitura – é esse o tema.
Qual o posicionamento do autor? Ler é decisivo para a aquisição de conhecimento. Quais os argumentos utilizados? Caracterização do mundo moderno com o competitivo, e há grande quantidade de coisas a aprender.
A que conclusão o autor nos leva? A de que a leitura é a principal fonte de conhecimento do homem e uma forma de caracterizá-lo (talvez diferenciá-lo) nesse mundo competitivo.
Partes da dissertação: Claro, esse é um pequeno texto: um parágrafo. No Vestibular, você terá de elaborar uma redação em média com 30 linhas.
1o TESE ou INTRODUÇÃO: ideia central. A introdução apresenta a ideia que vai ser discutida (tópico frasal), portanto, deverá ser objetiva, direta. Em um texto de 30 linhas, pense em usar até 5 linhas para apresentar a tese. Você poderá iniciar seu texto com perguntas, afirmações, citações, contando um fato; desde que o leitor identifique de imediato qual o seu ponto de vista sobre o tema.
2o DESENVOLVIMENTO: argumentos organizados. Trata-se da 2a.parte do texto dissertativo; no desenvolvimento da tese, estarão presentes os argumentos, fatos históricos associados àquele tema; citações literárias ou não- literárias; comparações geográficas; fatos do cotidiano, desde que públicos. Vale a originalidade Numa redação com 30 linhas, procure fazer 2 ou 3 parágrafos no desenvolvimento, com a média de 6 linhas para cada enfoque (a cada parágrafo corresponde um enfoque diferente ao tema, sempre de acordo com a sua tese).
3o CONCLUSÃO: finalização do texto. A conclusão pode sintetizar as ideias expostas, apresentadas e discutidas no desenvolvimento; ou, apresentar uma solução para o tema tratado; mas, cuidado: não apresente soluções óbvias, porém impraticáveis de fato; fuja do “lugar-comum”! Use, no máximo, um parágrafo com até 5 linhas.

Prática: Por vezes, o vestibular fornece um texto como tema, caso em que o vestibulando terá de interpretar o assunto a ser tratado. Em outros vestibulares, dá-se uma pergunta-tema, juntamente com uma coletânea sobre o tema dado. Essa coletânea, normalmente apresenta enfoques distintos, modalidades textuais ou até linguagens diferentes (textos em prosa ou até em verso - literários ou não literários; letras de música; pinturas; charges) para que você reflita a partir de pontos de vista diversos e possa usá-los a favor do desenvolvimento de sua tese. Não se deve copiar, porém, trechos ou apenas transcrever as ideias; mas, sim, a partir dessas ideias alheias, apresentar o que você pensa, certo?
Tema: “Vestibulando, na sua opinião, quais seriam os caminhos para uma melhoria do nível de ensino no Brasil?”
Se você é daqueles que não sabe como iniciar seu texto, comece de forma direta, por exemplo: “O nível de ensino dos estudantes no Brasil poderá ser melhorado se...”
Recolha as informações que possui sobre o tema: é preciso mais verba? É preciso aprimorar a qualidade dos professores? É preciso ampliar a quantidade de horas na escola?
Não se esqueça de que não basta dizer “sim” ou “não” às questões levantadas. É importante dizer os motivos; explicitar ao leitor porque pensa daquela forma expressa no texto.
Conclusão do texto: talvez apresentando uma solução, ou, simplesmente retomando, com outras palavras, o que você escreveu no início. Treine e procure expressar suas ideias por escrito.

Recomendações Gerais:
a) O tratamento ao tema deverá ser impessoal, o que significa que você deverá evitar o uso da primeira pessoa, especialmente o “eu”.
b) A redação é pedida em prosa; significa que você não deverá fazer versos. A modalidade redacional é normalmente a Dissertação, por esta ser mais adequada à reflexão, à discussão e ao desenvolvimento de um assunto (claro que você poderia fazer um poema reflexivo, ou uma narrativa reflexiva ou uma crônica reflexiva, mas não são estes os textos desejados no vestibular; em raras exceções, tem-se a opção da narração ou da carta).
c) Procure, sempre que possível, fazer rascunho; ao passar a limpo seu texto, você terá a chance de rever suas ideias, fazer a correção gramatical, perceber se há incoerências, enfim, será possível ter mais segurança quanto ao resultado.
d) Na Dissertação, deve-se discutir o assunto, expor pontos de vista, analisar diferentes aspectos relacionados ao tema, buscando causas, consequências, exemplos, até, se possível, soluções ao "problema".
e) A estética é importante: preocupe-se em alinhar parágrafos e margens. Torne seu texto mais fácil para e leitura e entendimento do examinador; se ele não entender sua letra, como entenderá suas ideias?
f) A ideias devem estar ligadas entre si, dentro dos parágrafos e entre os parágrafos – é a chamada coesão textual. Cuidado para não fazer parágrafos com um único período. Pontue as orações: períodos curtos facilitam o entendimento da mensagem.
f) Não descuide da gramática: o conhecimento da norma culta é avaliado em seu texto. A linguagem deverá ser objetiva; muito cuidado ao tentar usar a ambiguidade, ou a ironia – você poderá tornar confuso o texto.
g) Dê um título, sempre que a proposta assim o solicitar; ele não será obrigatório, se não houver determinação expressa. Coloque esse título na folha dada para a versão definitiva, na 1ª linha; deixe uma linha em branco, e inicie o seu 1º parágrafo.
h) Procure ler artigos em revistas, notícias em jornais, participe de debates com seus colegas e seus familiares sobre assuntos diários sócio-político-econômicos do Brasil ou do mundo. verbalize e escreva, sempre. 

Redação - Prof. Anderson

Aula 4

Narrativa

POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL

“João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro, Bebeu, Cantou, Dançou, Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.”
                                                                                  Manuel Bandeira

O nome dado ao personagem é muito comum, mostra então certa popularidade e identificação na sociedade. O sobrenome pode ser também interpretado como uma característica, conotação sexual, malandragem... já é possível então visualizar o personagem. Sendo carregador de feira livre, podemos perceber pelo subemprego que não era alguém qualificado. “Morava no morro da babilônia, num barracão sem número.” Por tudo isso, podemos identificar um personagem sofrido, marginalizado. O poema começa como em muitas narrativas, com a apresentação do personagem, depois se cria o conflito, um indicador que torna a história mais interessante. “uma noite” esse é um indicador temporal, equivalente a “era uma vez” a partir deste ponto cria-se várias ações: bebeu, cantou, dançou... perceba que os verbos estão em ordem alfabética como que caminhando numa linha vertical até o último ponto que acaba sendo a lagoa Rodrigo de Freitas.

Ao escrever uma história, tente usar todos os recursos visuais e sonoros.
Elementos:
Enredo: é a trama da narrativa, a forma como se constrói o texto.
Ex: um homem que se suicidou.
Personagens: aqueles que se envolvem na história. Há os principais e os secundários.
Tempo: momento em que ocorrem as ações. Pode ser cronológico (dias, meses, anos...) ou psicológico (quando não é preciso haver um fluxo de tempo)
Espaço: onde ocorrem as ações.
Narrador: aquele que conta a história.
Foco narrativo:
1° pessoa - narrador personagem
3° pessoa – narrador observador (aquele que vê tudo) ou narrador onisciente (aquele que pode dizer o que o personagem sente ou pensa)

“De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e
guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:
- Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.
- É verdade, concordou Honório envergonhado.”
A carteira – Machado de Assis

Nota-se que temos neste texto um narrador observador, ele está de fora observando as ações. Pelos diálogos no presente e o verbo “concordou” temos um discurso direto. O narrador transmite a fala do personagem.

“Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia.”
                                                                                  A carteira – Machado de Assis

Neste ponto do mesmo texto temos um narrador onisciente que descreve todos os pensamentos e sentimentos do personagem.

“Começou por não dizer nada; pôs em mim dous olhos de gato que observa; depois, uma espécie de riso maligno alumiou-lhe as feições, que eram duras. Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera, prestava para nada, dormiam muito, eram respondões e andavam ao faro das escravas; dous eram até gatunos!”
O Enfermeiro – Machado de Assis

Perceba que o narrador está na 1° pessoa – narrador personagem
Nas duas últimas linhas podemos perceber o discurso indireto, que é a reprodução pelo narrador daquilo que foi dito.

Tema de redação Unicamp, 2000
No dia 5 de outubro de 1999, terça-feira, o jornal Correio Popular, de Campinas, SP, publicou a seguinte manchete de primeira página, acompanhada de breve texto:   

   100 mil ficam sem água em Sumaré

Um crime ambiental provocou a suspensão do abastecimento de água de cerca de 100 mil moradores de Sumaré. A medida foi tomada na sexta-feira, quando uma mancha de óleo de aproximadamente 3 quilômetros de extensão surgiu nas águas do rio Atibaia. Anteontem, uma nova mancha apareceu nas proximidades da Estação de Tratamento de Água I, na divisa entre o bairro Nova Veneza e o município de Paulínia. A situação somente será normalizada na quinta-feira. A Cetesb investiga o caso e os técnicos acreditam que o produto (óleo diesel ou gasolina) foi despejado em esgoto doméstico em Paulínia.
Leve em conta esta notícia e privilegie a hipótese dos técnicos, apresentada no final do texto. A partir desses elementos, escreva uma narração em terceira pessoa, caracterizando adequadamente personagens e ambiente. Crie um detetive ou um repórter investigativo que, quando tenta resolver o “crime ambiental”, descobre que o ocorrido é parte de uma conspiração maior.

Redação - Prof. Anderson

Aula 5

Votar em palhaço é uma forma válida de protestar?

O desgosto do brasileiro com os políticos tem gerado protestos inusitados, como a eleição de animais, em décadas passadas, e a candidatura de pessoas sem nenhuma ligação com a política, que chegam a declarar publicamente não entenderem nada sobre o cargo que disputam. O slogan mais comentado deste ano foi "Vote Tiririca, pior que tá não fica". O que você pensa disso? Esse tipo de voto de protesto ajuda o Brasil a melhorar? Passado o fervor da campanha eleitoral e concretizado o deboche por meio da eleição desses personagens, como fica o país e qual a contribuição desses novos políticos durante anos? Qual o prazo de validade da piada que se faz ao se votar em palhaços? Com base nos textos de apoio e em outras informações de que você disponha, elabore uma dissertação defendendo um ponto de vista sobre a pergunta: Votar em palhaço é uma forma válida de protestar?

  Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa;  
  Deve ter uma estrutura dissertativa;
  Não deve estar redigido em forma de poema (versos) ou narração;  
  A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;
  Não deixe de dar um título a sua redação;

Avaliação:
1 - Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita.
2 - Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
3 - Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
4 - Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
5 - Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

"Obrigado por terem aberto esse tema para expor pensamentos" nota 0,0
Fico imaginando um investidor estrangeiro de porte, chega [grande investidor estrangeiro que chegue] ao Brasil nessa fase de horário político OBRIGATÓRIO, sem querer ele tem [. Durante] uma hora vaga em sua suíte de luxo, em algum hotel em que se hospeda... [,] liga a TV e seu sonho de investir começa a ficar caro. Vai acompanhando as imagens e [,] naturalmente [,] não entende o que se passa, mas como é de porte terá um tradutor ao lado, que naturalmente traduzirá ao pé da letra (ao menos é o que eu gostaria que ele fizesse).
Não acredito que ele fique surpreso, acredito que ele confirme o que já tenha ouvido a respeito do Brasil e diz [diga] ao tradutor... " realmente esse [este] país não é sério!"
Considerando que ele tenha acompanhado a eleição e visto que o Palhaço Tiririca foi eleito, pergunta ao tradutor de como e por quê [por que] isso se concretizou, e ouve a simples explicação de que foram votos de protesto.
Surpreso, mudo, arruma a mala e liga para a empresa aérea solicitando antecipação do vôo de retorno.
O tradutor, que teve seu trabalho encurtado por alguns dias lhe pergunta o que houve e tranquilamente o investidor responde... se ["Se] o povo daqui elege uma figura que não fará seu trabalho remunerado pelo próprio povo, por quê [por que] os trabalhadores da minha empresa se dedicarão ao crescimento da mesma? [?"]
E o tradutor começou [começa] a ajudar a arrumar a mala do investidor...
Infelizmente esse exemplo é possível, e infelizmente nosso povo, sem discernimento, ao menos sabe fazer protesto ou manifesto, pois ao se unirem [unir] nas ruas, acabam [acaba] fazendo anarquia e bandalheira, quebrando as fachadas de bancos, farmácias, padarias, metrô, ônibus e muito mais...
Estou triste, sou brasileiro, servi o serviço militar OBRIGATÓRIO (não me arrependo), já morei no exterior e trabalhei em diversas áreas desde os meus 12 anos. Quero muito um Brasil melhor. Sozinho não mudarei as coisas, mas podem contar comigo pro que for melhor pro nosso país.
    Obrigado.








Comentário geral
Por fugir à proposta, o texto foi zerado. Não houve adequação à modalidade solicitada, já que o autor passa a maior parte do texto narrando e expondo depoimentos pessoais.
Aspectos pontuais
1)   Título: na verdade, o texto começa e termina com um agradecimento, o que não se constitui um título e está inadequado à proposta. Não se deve conversar com o leitor na dissertação.
2)   Primeiro parágrafo: a) apesar de não ser incorreto, não é muito adequado o uso de "eu" na dissertação, ainda mais para expor pensamentos subjetivos (isso é típico da crônica, outra modalidade textual); b) o que seria um investidor "de porte"? A expressão está incompleta e gera duplo sentido; c) período muito mal pontuado, prejudicando a clareza do parágrafo.
3)   Sétimo parágrafo: o único parágrafo que traz características dissertativas é o sétimo, pois parte do exemplo para traçar uma análise do comportamento do povo brasileiro. O problema é que isso se limita a uma breve constatação do senso comum, não se desenvolve.
4)   Oitavo parágrafo: na conclusão o autor expões informações pessoais, inclusive com marcas de oralidade, transformando o texto em um registro de depoimentos subjetivos, inadequados à proposta.

Viva a bossa-sa-sa; viva a palhoça-ça-ça-ça-ça. Nota 10
Na antiga sociedade romana, o imperador, a fim de inibir rebeliões futuras da população por causas dos problemas sociais advindos da escravidão rural e consequente migração para as cidades, adotou a política "panem et circenses" (pão e circo). Diariamente, promoviam-se lutas entre gladiadores nos estádios, como o Coliseu, e, nestes [nesses] eventos, distribuíram-se alimentos, em geral pão e trigo. Era uma forma de distração do povo e, ao mesmo tempo, de dominação contra revoltas.
Este panorama da Roma antiga não diverge muito do Brasil atual. A sociedade brasileira é mantida sob domínio por meio desse sistema de entrega do pão (Bolsa Família, Bolsa Escola) e divertimento no circo (aventuras políticas no cenário nacional). Mas, no picadeiro da política atual, sempre existe um personagem ilustre que faz a alegria do respeitável público: o palhaço. Realmente, no ano de 2010, um palhaço ganhou visibilidade no campo político, ao ser eleito deputado federal em São Paulo. Seu nome é Tiririca.
Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, somou mais de 1,3 milhões [milhão] de votos e inseriu-se na história da política brasileira como o deputado federal mais votado, ficando atrás apenas do lendário Enéas, do Prona. Com uma campanha irreverente e debochada, o humorista jamais explanou claramente suas intenções políticas, porém a espontaneidade de seu discurso acabou por torná-lo uma mescla de sucesso e polêmica, alvo de debates na internet e na comunidade social. O célebre bordão "vote em Tiririca, pior que tá não fica!" ganhou o gosto popular.
Piadas à parte, a grande discussão que circunda a eleição do palhaço Tiririca ao Congresso Nacional é se esse foi um voto de protesto da sociedade, em face ao sentimento de descaso que o Congresso permeou no povo, devido à série de episódios vergonhosos de corrupção. Por mais que o protagonista em questão represente uma parcela grande da sociedade e, de certo modo, espelhe a insatisfação social com os políticos atuantes, a sua candidatura em nada contribuirá para a melhoria da condição de vida das pessoas. A intenção é valida, contudo, pôr alguém (um palhaço!) sem nenhuma experiência política, ou mesmo sem propostas e perspectivas de mudanças para a população, como representante político, ridiculariza ainda mais o sistema político brasileiro, já tão taxado pelas nações desenvolvidas. É aumentar ainda mais a "palhaçada" e ver o "circo pegar fogo".
O verdadeiro protesto é aquele que nasce da consciência coletiva e é externado, com coragem e esperança, pela própria sociedade. A História é pródiga em apresentar exemplos. O movimento negro que, nos Estados Unidos, teve em Martin Luther King um impulso expressivo, na luta contra leis racistas que proibiam o direito de voto às minorias étnicas. No Brasil, o movimento Tropicalismo, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, convocou os jovens brasileiros a proclamarem a [o] individualismo e [a] liberdade sexual, num espírito de contestação político-cultural, em plena ditadura militar. O movimento "Diretas Já" arrastou milhares às ruas, em passeatas, comícios e lideranças, para reivindicarem eleições presidências [presidenciais] diretas no Brasil, em 1983.
É preciso que essas investidas feitas contra a estrutura político-social brasileira resultem em benefícios a todos. Se o povo está cansado de "pão", que o representante da nação tenha capacidade de administrar os bens públicos para pôr na mesa do brasileiro arroz, feijão, carne, salada, um emprego decente, saúde, educação e segurança. Precisamos de governantes compromissados com o desenvolvimento do país, e não de figuras pitorescas que apenas ocupam assentos nas cadeiras partidárias e não contribuem para o crescimento do Estado e fortalecimento da democracia.
Comentário geral
O texto merece a nota máxima, apesar dos pequenos deslizes que nele se encontram. Além dos assinalados, em verde ou vermelho, pode-se também questionar a correção ou propriedade das referências históricas. Ainda assim, o texto atende, em todos os quesitos, o que se espera de um texto redigido por alguém nessa etapa da escolaridade e demonstra que ele está apto a prosseguir na carreira escolar.
Aspectos pontuais
1) Terceiro parágrafo: em vermelho, destaca-se a perífrase desnecessária: por que não dizer pura e simplesmente "sociedade" em vez de "comunidade social"? A clareza se constrói com simplicidade.
2) Quarto parágrafo: a) Mais uma vez, uma perífrase desnecessária e, nesse caso, provocando confusão: como na frase anterior a referência mais próxima é Congresso, pode-se entender que é o Congresso o "protagonista" que inicia a frase seguinte. b) "Taxar" exige um complemento para significar o que o autor pretende. Pode ser, por hipótese, que as nações desenvolvidas taxem o Congresso brasileiro de ineficiente. Sem complemento, "taxar" significa "cobrar tributo" e as nações desenvolvidas nem taxam nem podem taxar o Congresso brasileiro.
3) Podem-se levar milhões de pessoas às ruas em passeatas e em comícios, mas não em lideranças. A palavra "liderança" tem outro significado e não comporta esse uso. O paralelismo do texto fica capenga devido ao uso inapropriado de um vocábulo.


Um ato sem pensar hoje pode transformar o amanhã nota 4,0
Ato de protesto, o voto em candidatos simbólicos está tomando proporções gigantescas, graças a desilusões de uma população traída politicamente. Com proibições de trucagens que ridicularizem qualquer candidato, o povo aposta em votos para dançarinas, ídolos de futebol e até em palhaços. Com [palhaços, com] o simples propósito de homologar, com humor, a descrença pela [na] política brasileira. Mas, jogar o voto a esmo em candidatos que por sua vez [que] fazem humor de algo tão sério, isto sim, [isso sim] é motivo para possíveis desilusões futuras.
Nestas eleições, foi concretizada a indignação de um país democrata [democrático] perante seus comandantes. Tal indignação foi mostrada nas urnas, com o quantitativo de votos ganhos por estes [esses] figurões. Superando [, superando] até mesmo políticos renomados, que se dedicam ao poder legislativo por diversos anos. No entanto, partidos e coligações políticas apostam e aproveitam destas [dessas] celebridades para a arrecadação de votos para si, sendo assim, o centro das atenções. [os seus outros candidatos.]
Já os eleitores incrédulos com nossos políticos e possíveis candidatos demonstram sua insatisfação com votos ridículos.
Será que alguém realmente acredita em uma pessoa que possui como campanha eleitoral o tema "vote em Tiririca, pior que tá não fica", ou até mesmo em alguém que é capaz de mostrar-se quase nua para obter atenção, pois não tem um assunto convincente e de utilidade para a população possa assumir qualquer cargo na assembléia [assembleia] ? Pessoas que admitem não terem o menor conhecimento dos cargos concorridos com certeza não podem ter utilidade para nossa assembléia legislativa.
No entanto, o ato que até o momento das eleições era de protesto se torna um ato desastroso, pois, sem perceber o mal pior, é entregue um cargo promissor, e de interesse direto da população, a uma figura que não demonstra o menor conhecimento na área da política, prejudicando, diretamente a face do [prejudicando diretamente o] Brasil. Dando-lhes o direito de opinar e intervir em decisões importantes durante todo seu tempo de regência nos [o tempo de vigência dos] devidos cargos de ocupação. [ocupados.]




Comentário geral
A inadequada escolha vocabular do autor causou vários problemas de lógica ao texto, que está confuso e impreciso. As falhas sintáticas geraram várias frases incompletas. Quanto ao conteúdo, há algumas boas informações, mas os argumentos carecem de profundidade.
Aspectos pontuais
1) Primeiro parágrafo: falta clareza na exposição das ideias: possivelmente o autor quis dizer que a mídia foi proibida de usar recursos como a trucagem para ridicularizar os candidatos, mas isso não foi dito e parece que o eleitor é que sofre tal proibição. Depois vem a afirmação de que o eleitor "aposta" em votos para certos grupos de pessoas, mas não se explica o que está sendo apostado, o que se quer ganhar com tal aposta. Ou seja, o vocabulário impreciso e a informação incompleta prejudicaram muito a lógica do parágrafo.
2) Segundo parágrafo: a) vocabulário impreciso (como a indignação foi concretizada na eleição?); b) frase incompleta, no trecho em vermelho.
3) Terceiro parágrafo: parágrafo muito curto, superficial e subjetivo: o que são votos "ridículos"?
4) Quarto parágrafo: o período inicial foi cortado por uma série de informações e, na hora de ser retomado, apresentou problemas sintáticos e ficou sem sentido (ver os trechos em vermelho).
5) Quinto parágrafo: a conclusão, prejudicada na expressão pelo uso de palavras inadequadas ao contexto, apenas repete parte do desenvolvimento, sem acrescentar proposta de solução.